Baterias – Mitos e realidades

Baterias. Elas estão presentes em todos os dispositivos que usamos, desde o brinquedo da criança até o circuito embarcado utilizado pela NASA em suas sondas eletromagnéticas. Tudo que possui massa precisa de energia, de força para realizar algum tipo de trabalho. Por isso, a bateria está contida mais do que possamos imaginar. Se nos humanos há carbonos, nas máquinas há baterias ou de forma mais fundamental, elétrons.

Quando a energia elétrica da sua distribuidora elétrica falha, são elas que tomam pra si a responsabilidade de suportar toda a infraestrutura antes suprida pela energia elétrica alternada anterior. Se você possui um no-break (nome sugestivo) em casa, compreende a importância desta forma de energia – a bateria. Poucos sabem disso, mas nem sempre a energia elétrica é redisponibilizada em poucos minutos por consertos, mas sim, por deslocamentos energéticos advindos de outra área de distribuição energética ou por gigantescas e potenciais baterias que suprem a falha inicial. Com toda certeza, estaríamos perdidos sem esse tipo de energia armazenável.

 Voltando ao nosso nicho tecnológico e as aplicações dessa forma de energia à nossa área de trabalho temos um cenário comum: grande parte dos problemas nos notebooks e afins ocorrem envolvendo baterias. Muitas vezes, não por defeito do produto ou do fabricante mas por uma utilização inadequada. A seguir alguns dados sobre as baterias:

 Atualmente, as baterias mais utilizadas em dispositivos portáteis são, geralmente, baterias de íons de lítio, também denominadas Li-Ion. Antes delas, víamos no mercado outros tipos de baterias formadas por outros compostos químicos. Estes eram mais prejudiciais e menos performáticos que a bateria de Li-Ion, por isso, foram substituídos. Por exemplo, alguns compostos utilizados no passado na fabricação de baterias eram de Níquel-Cádmio (Ni-Cad) ou Níquel e Hidrato Metálico (Ni-MH). Além disso, as baterias de lítio conseguem armazenar até 3 vezes mais carga do que as Ni-Cad e até 2 vezes mais do que a Ni-MH.

 Informações e cuidados que os usuários deveriam ter

A maior parte das baterias deste tipo são compostas por 3 a 9 células independentes. Quando expostas a altas temperaturas, acima dos 60 graus, ou caso sejam carregadas além de seu limite energético, poderão explodir, devido à instabilidade do lítio. Também se as células se mantiverem completamente descarregadas durante muito tempo, acabam sofrendo um fenômeno físico-químico chamado oxidação.

 As baterias Li-Ion, utilizadas em computadores portáteis, estão geralmente associadas a um circuito inteligente, que controla a carga da bateria. Este circuito tem duas funções: interromper o fornecimento de energia quando a carga atinge um valor limite; interromper o gasto de energia quando esta atinge valor demasiado baixos. Para tal, o circuito está montado num componente externo à bateria e não em cada célula. Assim, evita-se que as células, em conjunto, entrem num estado de descarga profunda, potencialmente irrecuperável.

Agora, note bem: ao contrário do que muitos afirmam e do que muitas empresas recomendam, não deixem que a sua bateria fique totalmente descarregada. E não tente utilizá-la novamente quando o computador entrar em modo de hibernação. Ao contrário das baterias Ni-Cad e Ni-MH, as Li-Ion não ficam “viciadas”, isto é, não sofrem efeito de memória. Acontece sim que, muitas vezes, certas baterias passam a durar muito menos tempo do que inicialmente. E isso é normal. Há um desgaste natural pela utilização tal como ocorre com as rochas na área de geologia.

 Este problema deve-se à calibração deste componente. Com o tempo, o circuito controlador de carga começa a perder a sua capacidade de calcular corretamente a carga existente na bateria pois, não controla cada célula individualmente.

Por isto, o circuito interrompe o gasto de energia, muito embora as células se mantenham completamente saudáveis. A solução é, como já deve ter percebido, calibrar o circuito, reajustando os seus padrões. Para tal, recomenda-se que realize um ciclo de carga/descarga completo de 30 em 30 ciclos normais de utilização.

E então como faço isso? Carregue a bateria por completo e mantenha-a ligada à corrente por cerca de duas horas. Depois, utilize o portátil, só com a bateria, até que esta se descarregue por completo e o computador entre em modo de hibernação. Mantenha-o nesse estado durante pelo menos cinco horas. Por fim, volte a carregar a bateria.

Como já deve ter reparado, quando utiliza o computador portátil apenas com a bateria, este diminui a utilização alguns recursos: diminui o brilho do monitor, a velocidade de utilização do processador, etc. Deve descarregar a bateria gradualmente, não de forma brusca. Não tente utilizar em pleno todas as capacidades do seu computador, a não ser que este esteja ligado à corrente.

Mas há mais! Se prentender guardar a sua bateria e utilizar o computador apenas com o adaptador, leia com atenção. Vários estudos comprovam que as baterias Li-Ion se deterioram mais rapidamente quando completamente carregadas ou quando descarregadas, por isso, o ideal é deixar a bateria com 50% de carga, no máximo. Além disso, conserve-as a baixas temperaturas – mas não no congelador!

Uma outra informação importante é que não há prejuízo em ter a bateria 100% carregada e estar com o adaptador AC/DC ligado, pois a bateria assim que chega aos 100% deixa de receber energia. Após a carga estar completada é feito um bypass diretamente para o sistema de alimentação do notebook.

No entanto, existe uma desvantagem em manter a bateria no portátil quando ligado à corrente, mas apenas, se esta estiver a sofrer aquecimento gerado pelo hardware do portátil. Portanto:

  • Uso normal do portátil sem aquecer (CPU e disco na ordem dos 30~40ºC) – manter a bateria.
  • Uso intensivo que leva a um grande aquecimento (Jogos) – retirar a bateria para que esta não aqueça.

O calor, aliado ao fato de estar a 100% de carga são o grande inimigo da bateria e não o cabo do transformador, como muitos pensam!!

Outro mito diz que se deve utilizar o portátil sem a sua bateria para maximizar o seu tempo de vida útil. Embora possa ser benéfico para a bateria, o seu portátil estará mais suscetível a picos de tensão provenientes da rede elétrica. Ainda assim, se vai utilizar o computador sempre no mesmo local, ligado à corrente, durante muito tempo, o melhor é mesmo é retirar a bateria para evitar que esta fique exposta a altas temperaturas.

Nunca descarregue e carregue a bateria de forma contínua. Estes componentes têm um limites de ciclos de carga/descarga. Quando se deve fazer a substituição da bateria de lítio?

Façam-no apenas quando esta estiver mesmo no fim da sua vida e já não suportar mais cargas. Não guardar a bateria para futuras utilizações após a compra de uma nova bateria pois esta acabará por se degradar com o tempo de inutilização. Muita atenção à data de fabrico da bateria e se não for da marca original muito cuidado com as tensões (volts) e correntes da mesma (amperes). A durabilidade média de uma bateria de lítio é de 3 anos de utilização moderada.

5 Dicas

  • Utilize a bateria até o computador entrar em modo de hibernação;
  • Não exija demasiado do computador quando utilizar apenas a bateria;
  • Guarde a bateria em locais frios e com cerca de 40-50% de carga;
  • Utilize regularmente a bateria do portátil mas evite o sobreaquecimento;
  • Realize a calibração da bateria uma vez por mês;

Referências:

  1. MELLO, S. Pilhas e baterias: indústria terá de oferecer opções para descarte. Saneamento Ambiental, v. 10, n. 61, p. 26- 29, 1999.
  2. VINCENT, C.A.; BONINO, F.; LAZZARI, M. e SCROSATI, B. Modern batteries: an introduction to electrochemical power sources. Londres: Edward Arnold, 1984.
  3. http://blogdokauffmann.wordpress.com/2007/08/16/baterias-de-litio-uma-alternativa-ao-chumbo-ao-cadmio-e-ao-hidreto/